quinta-feira, 5 de junho de 2014

QUITUTE!

A partir do conto As Estrelas iniciamos nossos estudos sobre sinônimos. E descobrimos que sinonimo quer dizer palavra que é diferente da outra mas tem o mesmo sentido.


As estrelas
Contam os índios bororós que, no começo do mundo, não havia ainda estrelas no céu. 
Um dia, as mulheres da tribo foram buscar milho, mão não conseguiram achar muitas espigas. De volta à aldeia, ralaram o milho e prepararam com ele um único mas apetitoso bolo.
As crianças, sentido aquele cheirinho tentador, vieram provar o quitute.
- Agora não! disseram as mães. - O bolo não é muito grande e queremos esperar os homens chegarem da caça para repartirmos entre todos.
O menorzinho dos garotos, muito esperto disse:
- Então por que vocês não vão lá perto do rio? Vi muitas espigas de milho lá!
Era mentira; ele só queria era afastar as mulheres dali. E elas caíram na história: foram todas para beira do rio, que não era tão perto assim, e deixaram um papagaio para vigiar o bolo.
Aproveitando a ausência das mães, os indiozinhos cortaram a língua do papagaio para ele não gritar. E cada um pegou um pouquinho do bolo para experimentar. Mas era um bolo tão irresistível, que  eles foram comendo, comendo, e logo não sobrou migalha de bolo. E as mulheres estavam voltando, bravas por terem sido enganadas. Então as crianças saíram correndo e, pegando num cipó, chamaram o pássaro piodudu, que é o colibri, e pediram para ele voar bem alto e amarrar a ponta do cipó no céu. O piodudu atendeu o pedido. E as crianças foram subindo, subindo, atravessando as nuvens. 
As mulheres chegaram, não viram nem migalha do bolo e perguntaram ao papagaio o que tinha acontecido. O coitado não podia falar, mas voou até a corda.
Elas correram para lá e foram também subindo, subindo...
Quando estavam quase alcançando o último menina na fila, este cortou com sua faquinha o cipó.
As mulheres caíram na Terra e se machucaram muito.
Os deuses, então, transformaram as crianças em estrelas, que são como olhos condenados a olhar fixamente para Terra, toda noite, para ver o que aconteceu com suas mães.

Rosane Pamplona. Histórias de dar água na boca. São Paulo: Moderna, 2008

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